Região menos famosa da Europa vence França e Itália em ranking de turismo do vinho para 2027, tem videira de 450 anos e estrada ‘de coração’

Região menos famosa da Europa vence França e Itália em ranking de turismo do vinho para 2027, tem videira de 450 anos e estrada ‘de coração’

Estradas estreitas entre vinhedos, vilarejos que preservam séculos de história e adegas que guardam vinhos produzidos há mais de cem anos. Essas paisagens poderiam facilmente pertencer à França ou à Itália, dois dos países mais famosos do mundo quando o assunto é vinho. Mas o cenário fica em um destino europeu que ainda passa despercebido por muitos turistas.

Em meio a colinas cobertas por plantações de uvas, uma estrada desenha um coração na paisagem, enquanto pequenas propriedades familiares mantêm tradições passadas de geração em geração. A combinação de história, gastronomia e natureza fez a região superar destinos tradicionais em um ranking que avaliou mais de 90 territórios vinícolas da Europa.

O lugar é Štajerska, no nordeste da Eslovênia, eleita a melhor região vinícola do continente para 2027 pela European Best Destinations. Com 19,5 pontos de 20 possíveis, o destino conquistou a primeira posição, deixando para trás concorrentes de países mundialmente conhecidos pela produção de vinhos.

Confira fotos do novo destino dos amantes do vinho:

Região guarda uma das videiras mais antigas do mundo

Quem visita Štajerska encontra vinhedos espalhados pelas encostas, pequenas estradas que atravessam áreas rurais e adegas administradas por famílias que trabalham com a produção de vinho há gerações.

Entre os lugares que mais chamam atenção está Maribor, cidade que abriga uma videira com mais de 450 anos. Reconhecida como a mais antiga do mundo ainda em produção, a planta cresce junto à fachada de um edifício histórico e se tornou um dos símbolos da região.

A tradição também aparece debaixo das ruas da cidade. Antigas adegas subterrâneas preservam espaços utilizados para armazenar vinhos, alguns deles abertos à visitação. Os corredores e barris ajudam a contar parte da história da produção vinícola eslovena.

Poucos quilômetros adiante, Ptuj guarda outra curiosidade. Uma de suas adegas históricas conserva uma garrafa da safra de 1917, considerada o vinho mais antigo preservado da Eslovênia.

Gornja Radgona também tem seu lugar nessa história. Foi ali que o país começou a produzir vinho espumante, em 1852, muito antes de a Eslovênia se tornar um destino conhecido entre turistas interessados em vinícolas.

Estrada em formato de coração virou atração para os amantes do vinho

Nem só de adegas vivem os passeios por Štajerska. Uma das paisagens mais conhecidas da região fica em Špičnik, onde uma estrada cercada por vinhedos forma uma curva em formato de coração.

Vista de cima, a estrada parece desenhada entre as plantações. O cenário ganhou popularidade entre fotógrafos e turistas, especialmente nos períodos em que os vinhedos estão verdes ou começam a mudar de cor.

Pelo caminho, também é possível encontrar os chamados klopotci. Essas estruturas de madeira, bastante comuns nos vinhedos eslovenos, giram com a força do vento e produzem ruídos para afastar pássaros das uvas.

A viagem pode incluir paradas em pequenas propriedades, degustações e refeições preparadas com ingredientes locais. Muitos produtores recebem visitantes nas próprias vinícolas, oferecendo uma experiência mais próxima da rotina de quem vive da produção de vinho.

Foi justamente essa combinação que ajudou Štajerska a alcançar a liderança. A European Best Destinations levou em consideração fatores como patrimônio cultural, paisagens, gastronomia, sustentabilidade e facilidade de acesso, além das características dos vinhos.

Segundo Maximilien Lejeune, diretor da organização, o reconhecimento está relacionado ao interesse crescente dos viajantes por lugares que preservam sua identidade cultural e oferecem experiências autênticas.

Itália ficou em segundo lugar e Espanha completou o pódio

Mesmo sem conquistar o primeiro lugar, a Itália conseguiu uma posição de destaque. Langhe-Roero-Monferrato, no Piemonte, terminou na segunda colocação, impulsionada pela tradição dos vinhos Barolo e Barbaresco.

A região italiana também é conhecida pelas colinas cobertas por vinhedos, pelos castelos e pela gastronomia. Durante o outono, a temporada das trufas brancas de Alba atrai visitantes que aproveitam a viagem para combinar degustações e experiências culinárias.

Na terceira posição apareceu Ribeira Sacra, na Galícia, noroeste da Espanha. Ali, os vinhedos ocupam terraços estreitos construídos nas encostas dos cânions dos rios Sil e Minho, criando uma paisagem bem diferente daquela encontrada em outras regiões produtoras.

Além dos vinhos elaborados com a uva Mencía, turistas podem visitar antigos mosteiros, percorrer trilhas e fazer passeios de barco pelos rios. As pequenas vinícolas espalhadas pelo território completam o roteiro.

França não conseguiu entrar entre os cinco primeiros

O resultado também chamou atenção pela posição da França. Apesar de sua fama mundial na produção de vinhos, o país apareceu somente em sexto lugar, representado por Sancerre e Pouilly-Fumé, no Vale do Loire.

Antes dos franceses, Kamptal, na Áustria, conquistou a quarta posição. A região é conhecida pelos vinhos Riesling e Grüner Veltliner, além das tradicionais tabernas onde produtores servem suas bebidas.

O quinto lugar ficou com Chianti Rufina, na Toscana, a nordeste de Florença. Menos conhecida do que outras áreas da região italiana, ela reúne vinhedos em terrenos mais altos, onde se destaca o cultivo da uva Sangiovese.

Entre os demais destinos selecionados estão Etna e Vale de Aosta, na Itália, Saumur e Anjou, na França, e Wachau, na Áustria. O Alentejo, em Portugal, conquistou a 11ª posição, enquanto Naoussa, na Grécia, completou a lista.

Por que conhecer Štajerska em 2027?

Para quem pretende viajar pela Europa, a região eslovena oferece a possibilidade de conhecer vinícolas sem limitar o passeio às degustações. Cidades como Maribor e Ptuj concentram atrações históricas, enquanto as áreas rurais permitem explorar estradas, mirantes e pequenas propriedades familiares.

Os roteiros também podem incluir restaurantes tradicionais e passeios pelas colinas, especialmente durante os meses mais quentes, quando as plantações ganham tons intensos de verde. No outono, a mudança na paisagem e o período de colheita trazem outros atrativos.

Vale lembrar que a classificação não significa que os vinhos da Eslovênia sejam melhores do que os franceses ou italianos. O ranking avaliou a experiência turística como um todo, considerando o que cada região oferece para além das taças.

Ainda pouco conhecida por muitos viajantes brasileiros, Štajerska reúne vinhos, história e paisagens em um mesmo roteiro. Para quem já pensou em conhecer Bordeaux ou Toscana, o nordeste da Eslovênia aparece agora como outra opção para uma viagem em 2027.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/turismo/regiao-menos-famosa-da-europa-vence-franca-e-italia-em-ranking-de-turismo-do-vinho-para-2027-tem-videira-de-450-anos-e-estrada-de-coracao/

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