Espanha despeja 547 bilhões de litros de água em mina abandonada e transforma cratera gigante em lago de 865 hectares com praia artificial

Espanha despeja 547 bilhões de litros de água em mina abandonada e transforma cratera gigante em lago de 865 hectares com praia artificial

Uma antiga mina de carvão a céu aberto ganhou um destino completamente diferente no noroeste da Espanha. Após o fim da exploração, a enorme cratera recebeu, ao longo de cerca de quatro anos, aproximadamente 547 bilhões de litros de água e se transformou no Lago de As Pontes, com 865 hectares.

A transformação ocorreu em As Pontes de García Rodríguez, na Galícia. Onde máquinas retiraram milhões de toneladas de linhito durante décadas, atualmente existe um enorme lago cercado por áreas recuperadas e até uma praia artificial destinada ao lazer e aos esportes aquáticos.

Além disso, o projeto alcançou terrenos ao redor da antiga mina. Segundo a Endesa, responsável pela exploração e posterior recuperação, aproximadamente 2.400 hectares passaram pelo processo de restauração ambiental.

Veja fotos do lago “As Pontes”, localizado na Espanha:

Mina produziu cerca de 270 milhões de toneladas de carvão

A história de As Pontes com a mineração começou décadas antes da formação do lago.

A exploração de linhito ganhou grande escala industrial durante a segunda metade do século XX. A Endesa assumiu a mina em 1972 e utilizava o carvão extraído para abastecer a enorme usina termelétrica instalada nas proximidades.

Um estudo científico publicado em 2026 aponta que a exploração industrial entre 1976 e 2007 retirou aproximadamente 270 milhões de toneladas de linhito da região.

Com o passar dos anos, as escavações transformaram profundamente a paisagem e criaram uma gigantesca mina a céu aberto. Entretanto, mudanças no setor energético e nas normas ambientais europeias contribuíram para o encerramento da exploração em 2007.

Assim, ficou para trás uma enorme cratera onde máquinas trabalharam durante décadas.

Cratera recebeu 547 bilhões de litros de água

Em vez de simplesmente abandonar a antiga mina, começou um processo de recuperação que mudaria novamente a paisagem.

Entre 2008 e 2012, a cratera recebeu água gradualmente. Portanto, os 547 bilhões de litros não foram despejados de uma única vez.

O processo aproveitou diferentes fontes disponíveis na região e exigiu acompanhamento técnico. Dessa forma, especialistas controlaram o ritmo de enchimento e monitoraram as alterações provocadas pela formação do novo reservatório.

O enchimento terminou em abril de 2012. Nesse momento, o Lago de As Pontes já ocupava aproximadamente 865 hectares.

O volume alcançou cerca de 547 hectômetros cúbicos, equivalentes a 547 bilhões de litros. Para dimensionar o número, essa quantidade seria suficiente para encher aproximadamente 219 mil piscinas olímpicas com capacidade de 2,5 milhões de litros cada.

A Endesa apresenta As Pontes como o maior lago artificial da Espanha.

Antiga mina ganhou praia artificial

A transformação ganhou um elemento ainda mais inesperado às margens do reservatório: uma praia de areia.

A Praia do Lago de As Pontes possui aproximadamente 400 metros de extensão e abriu ao público em 2012. Desde então, a antiga área mineradora também se tornou um espaço destinado ao lazer.

Atualmente, moradores e turistas podem utilizar o lago para banho e diferentes atividades aquáticas. Caiaque, canoagem e outros esportes passaram a ocupar uma paisagem onde grandes máquinas retiravam carvão poucas décadas atrás.

Além disso, em maio de 2026, a praia conquistou a Bandeira Azul pelo sexto ano consecutivo. O reconhecimento considera critérios relacionados à qualidade ambiental, segurança, acessibilidade e serviços oferecidos aos visitantes.

Durante o verão europeu, o município também mantém estrutura de segurança e salva-vidas na área de banho.

Recuperação alcançou 2.400 hectares

No entanto, o projeto não se limitou a encher a antiga cratera.

A mineração também havia modificado extensas áreas ao redor da jazida. Por isso, terrenos usados para armazenar materiais retirados durante as escavações entraram no processo de recuperação.

Segundo a Endesa, o trabalho alcançou aproximadamente 2.400 hectares, equivalentes a 24 km².

Com o passar dos anos, pradarias, áreas de vegetação rasteira, florestas e zonas úmidas começaram a ocupar novamente partes do antigo complexo minerador.

Levantamentos divulgados pela empresa identificaram 217 espécies vegetais e 205 espécies de animais vertebrados nas áreas recuperadas. Entre os animais que passaram a ocupar novamente o entorno aparecem diferentes aves e mamíferos.

Formação do lago exigiu acompanhamento científico

Transformar uma mina em um reservatório desse tamanho também trouxe desafios.

As escavações deixaram minerais expostos durante décadas. Em contato com a água, esses elementos podem provocar mudanças químicas e alterar características como acidez e concentração de oxigênio.

Por isso, pesquisadores acompanharam a evolução do Lago de As Pontes durante e após o enchimento.

Os estudos identificaram diferenças entre as camadas do reservatório. A água próxima à superfície permanece mais oxigenada e apresenta condições diferentes das regiões profundas, onde existe menor disponibilidade de oxigênio.

Temperatura, minerais e origem da água ajudam a explicar essas diferenças.

Dessa forma, a recuperação não terminou quando a antiga mina ficou cheia. O novo ambiente continuou exigindo monitoramento para acompanhar sua evolução.

Lago ainda carrega marcas da mineração

Apesar da água azul e da vegetação que atualmente domina boa parte da paisagem, As Pontes não voltou ao estado existente antes da exploração do carvão.

O lago surgiu justamente porque décadas de mineração modificaram profundamente o terreno. Portanto, o projeto representa a recuperação de uma área industrial degradada, e não a restauração completa do ecossistema original.

Ainda assim, o contraste entre passado e presente chama atenção.

Onde enormes escavadeiras retiraram cerca de 270 milhões de toneladas de linhito, atualmente existe um lago de 865 hectares. Ao redor dele, milhares de hectares passaram por recuperação e centenas de espécies voltaram a ocupar a região.

A transformação também abriu espaço para uma praia artificial, esportes aquáticos e atividades de lazer.

Assim, uma cratera deixada por décadas de mineração acabou recebendo 547 bilhões de litros de água e ganhou uma função completamente diferente daquela que marcou a região durante boa parte do século XX.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/mundo/espanha-despeja-547-bilhoes-de-litros-de-agua-em-mina-abandonada-e-transforma-cratera-gigante-em-lago-de-865-hectares-com-praia-artificial/

Postar um comentário