
Um peixe robalo desapareceu entre as pedras, e Erasto Crisanto Valdez não desistindo de sua pesca, decidiu ir atrás do animal. Era 23 de julho, e o pescador de 31 anos estava acompanhado do pai em um cenote próximo a San Francisco La Paz, no sul do México. Depois de avançar pela água e tentar retornar, percebeu que já não reconhecia o caminho.
A situação piorou um pouco depois, a lanterna que carregava esquentou, soltou faíscas e parou de funcionar. Sem conseguir encontrar a passagem pela qual havia entrado, Erasto ficou sozinho em uma caverna inundada, completamente no escuro.
Passariam 15 dias até que outra luz aparecesse naquele lugar, em seu socorro.
E falando sobre histórias de pescadores, conheça o homem que capturou um camarão gigante que assustou a cidade inteira pelo tamanho.
Veja fotos do pescador:
Sem caminho de volta
Erasto continuou nadando à procura de uma saída até alcançar uma parte seca do sistema subterrâneo. Ali havia uma câmara de ar, a cerca de 100 metros para dentro do cenote, onde ele conseguiu permanecer fora da água.
Não havia o que comer. A única fonte para beber vinha da própria caverna, onde corria água de uma nascente.
No escuro, até uma tarefa simples como entender a passagem das horas desapareceu. Sem amanhecer, noite ou qualquer referência externa, Erasto perdeu a noção do tempo.
Enquanto a família vinha acumulando os dias de angústia na superfície, ele acreditava ter passado apenas três dias preso.
Busca pelo pescador seguiu por dias
Do lado de fora, o desaparecimento se tornou comoção e mobilizou moradores, familiares, autoridades e mergulhadores especializados. Equipes percorreram áreas por terra e água enquanto profissionais entravam no sistema de cavernas.
As condições eram totalmente contra o resgate, fortes correntes de água, visibilidade quase mínima e passagens submersas dificultavam a exploração do cenote e chegaram a interromper parte das buscas.
Erasto permaneceu perto da água, ouvindo apenas o som da nascente e esperando que alguém chegasse. Sem saber quanto tempo havia passado, começou a considerar inclusive a possibilidade de não sair vivo dali.
Uma voz ecoando no escuro
Em 7 de agosto, Erasto ouviu um borbulhar e, inicialmente, pensou que viesse da água. Segundos depois, algo parecido com um feixe de uma lanterna começou a irradiar dentro da escuridão. Uma voz perguntando se havia alguém ali.
Um dos mergulhadores conseguiu chegar até ele e perguntou se poderia caminhar. Erasto estava consciente, mas debilitado demais para se aproximar sozinho. O socorrista voltou para buscar reforço e equipamentos.
Pouco tempo depois, a equipe retornou, começou a hidratá-lo e iniciou os protocolos de retirada pelas passagens que separavam a câmara da superfície.
Luz depois de 15 dias
Quando finalmente deixou o cenote, Erasto mal conseguiu manter os olhos abertos. Depois de duas semanas na escuridão, o reflexo do Sol e da água provocava dor.
O pescador foi levado ao hospital com desidratação e sinais de desnutrição. Sua maior surpresa, de fato, veio quando soube quanto tempo realmente havia passado.
Para ele, tinham sido cerca de três dias. Para a família que esperava do lado de fora, haviam sido 15.
A pescaria iniciada ao lado do pai em 23 de julho só terminou 15 dias depois. Sem comida, sem luz e sem saber se alguém ainda o procurava, Erasto finalmente voltou à superfície.
Do lado de fora, encontrou a família inteira reunida, esperando pelo momento que já parecia cada vez mais improvável: vê-lo voltar para casa vivo.